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A venda era o lugar onde todas as notícias se sabiam. Onde todos se tornavam conhecidos. Onde não havia segredo que não fosse revelado. Mas não era isso que atraía Miamyn ao lugar. Ao fim do dia, depois de ter corrido pelos telhados e de se ter estirado a dormir ao sol em cima dos muros, Miamyn já sabia qual era o melhor destino. Arregalava-se com as sobras de comida que Jun lhe deitava no prato, junto à porta da rua. Miamyn era um gato igual a muitos. Sabia viver. As únicas brigas em que se envolvia era com algum manhoso mais afoitado que lhe queria afiar a unha. De resto não se importava até de partilhar alguma da comida que Jun lhe dava, com outros gatos.

Miamyn tinha uma dona, que lhe fazia festas e também lhe dava comer. Mas ele preferia a comida mais condimentada de Jun. E além disso não era gato de estar todo o dia enfiado dentro de casa. Gostava de sentir o vento no pêlo e de adormecer ao sol. Era um gato livre, adulto. Sabia o que queria na vida. E isso era o que lhe dava prazer e o deixava feliz.